Você já adiou projetos importantes? Já se viu repetindo padrões que te prejudicam, mesmo sabendo que deveria agir de outra forma? Ou já recusou oportunidades que poderiam te levar adiante? Se respondeu “sim” a alguma dessas perguntas, você pode estar lidando com a autossabotagem.
A autossabotagem é um conjunto de comportamentos e escolhas que inconscientemente colocam obstáculos no nosso próprio caminho. Muitas vezes, não percebemos que estamos fazendo isso – até que as consequências aparecem, gerando frustração, estagnação ou arrependimento.
Mas por que fazemos isso?

A origem da autossabotagem: aprendemos a nos sabotar
Ninguém nasce se boicotando. A autossabotagem tem raízes emocionais profundas, muitas vezes ligadas a experiências passadas. Desde a infância, aprendemos como devemos agir para sermos aceitos, protegidos ou valorizados. Se crescemos em ambientes onde nossos sentimentos foram desvalorizados, onde havia expectativas irreais ou onde precisávamos atender a padrões muito rígidos, podemos ter desenvolvido estratégias de sobrevivência que, mais tarde, se transformam em autossabotagem.
Por exemplo:
🔹 João sempre entra em conflito com colegas e chefes e acaba perdendo empregos. Inconscientemente, ele pode estar recriando um padrão aprendido na infância, onde só recebia atenção quando havia conflitos.
🔹 Maria sempre quis abrir um negócio próprio, mas nunca leva seus projetos adiante. No fundo, ela pode ter medo do fracasso – ou do sucesso, pois isso poderia mudar a forma como ela se vê e como os outros a enxergam.
Esses comportamentos são aprendidos ao longo da vida e, muitas vezes, têm uma conexão com experiências traumáticas passadas.
O trauma e a autossabotagem
Nem toda autossabotagem vem de traumas, mas muitas vezes há uma relação. Traumas emocionais e experiências abusivas podem nos levar a desenvolver crenças limitantes sobre nós mesmos. Pessoas que passaram por ambientes instáveis, rejeição, abandono ou relações de controle excessivo podem carregar consigo mensagens internas como:
❌ “Eu não sou bom o suficiente.”
❌ “Se eu tiver sucesso, vou perder as pessoas que amo.”
❌ “É melhor eu nem tentar do que fracassar e me sentir pior depois.”
Essas crenças moldam nossas ações de maneira sutil, nos levando a evitar desafios, procrastinar ou até criar problemas onde não existem.
Como podemos romper esse ciclo?
O primeiro passo para superar a autossabotagem é tomar consciência dela. Algumas perguntas podem ajudar:
✔ Quais tarefas eu evito sem motivo aparente?
✔ Quais desculpas eu uso para não seguir em frente com meus objetivos?
✔ Como me sinto quando sou elogiado ou reconhecido? Isso me deixa desconfortável?
A partir do momento em que identificamos esses padrões, podemos começar a mudá-los – mas isso exige trabalho emocional e novas experiências. Terapia, autorreflexão e mudanças graduais de comportamento podem ser essenciais para reescrever esses padrões e construir uma relação mais saudável consigo mesmo.Nos próximos textos, vamos explorar os diferentes tipos de autossabotagem e como superá-los. Se esse tema te interessa, continue acompanhando a série!